Veja diversas reportagens sobre o MBA no exterior com a contribuição da MBA House e como elas podem orientá-lo a alcançar o sucesso nas Business Schools.

Se a capacidade de adaptação sempre foi um atributo valorizado nos profissionais brasileiros, não poderia ser diferente com aqueles que encaram fazer um MBA no exterior. Até 2007, o sonho de boa parte dos brasileiros que cursava MBA nas escolas de primeira linha nos Estados Unidos e Europa era ficar por lá e conseguir um emprego nos principais bancos e consultorias. Mas, com a crise, os papéis se inverteram. Agora, o Brasil não é mais o destino escolhido por falta de opção. Para muitos, voltar para casa nesse cenário parece ser o melhor dos mundos.
A mudança ocorreu também no que diz respeito ao mercado de atuação. Os bancos e consultorias, afetados pela turbulência econômica, obrigaram os estudantes a abrir seu leque de alternativas para empresas de serviço e até mesmo para a indústria. As perspectivas em relação a salários, inclusive, baixaram: em 2008, mais de 70% dos estudantes almejavam um incremento de 40% a 160% no salário depois de formados no mestrado internacional. Em 2009, 60% tinham expectativas mais modestas, que variavam de 0% a 120% de acréscimo sobre a remuneração anterior ao curso.
Os dados fazem parte de uma pesquisa concluída no fim do ano passado pela consultoria brasileira GNext sobre o perfil dos estudantes brasileiros nos principais MBAs do mundo, divulgada com exclusividade para o Valor. Mas, apesar da virada de cenário, o interesse em adquirir a experiência de um mestrado em negócios fora do país continua crescente, especialmente entre profissionais na faixa dos 28 aos 32 anos, garante a sócia da consultoria, Juliana Lacerda. O estudo contou com a participação de 94 brasileiros cursando o MBA das 15 principais escolas de negócios do mundo dos EUA e Europa segundo o ranking do jornal britânico "Financial Times".
Outra constatação da pesquisa é que, durante a crise, diminuiu o número de empresas no país que patrocinaram funcionários para cursar MBA no exterior. As consultorias, por exemplo, bancaram total ou parcialmente 60% dos alunos enviados em 2008; já no ano passado, apenas 25% foram patrocinados. "Talvez este ano, com a retomada na economia, isso mude", diz Juliana, responsável por aproximar alunos de MBAs internacionais de empresas no Brasil que estão em busca dos famosos "high potentials."
A aposta de afastar um profissional do trabalho por dois anos para se dedicar aos estudos gera um custo que nem toda companhia está disposta a pagar. Afinal, sabe-se que o assédio sobre os estudantes das escolas "top 10" é alto e a empresa corre o risco de perder seu profissional. Muitas delas, no entanto, como a consultoria Roland Berger, acreditam que o risco compensa. "Nossos profissionais são assediados o tempo todo. O MBA é só mais um fator", afirma o consultor Rodrigo Dantas. Por esse motivo, a retenção de talentos tem de ser um esforço constante. "Você não tem que reter um indivíduo porque ele fez MBA, mas porque ele é extremamente talentoso e precisa ser constantemente desafiado", completa. Para ele, o enriquecimento cultural e o amadurecimento são os fatores de maior vantagem para aqueles profissionais que buscam uma experiência fora do país.
Na Roland Berger, bancar o MBA internacional de seus profissionais com alto potencial faz parte do processo de evolução de carreira. Segundo Dantas, em 2009 não houve redução no número de programas bancados pela instituição. Atualmente, há quatro brasileiros da equipe de 42 pessoas cursando MBA nos EUA, proporção considerada alta pelo mercado.
Daniel Azevedo, de 29 anos, voltou de um MBA em Stanford há seis meses. Engenheiro formado pela Unicamp, entrou na Roland Berger como estagiário em 2002 e, em 2007, foi um dos escolhidos para cursar MBA nos EUA. Na volta, sentiu rapidamente o impacto do curso sobre o seu desempenho profissional. "É uma questão de ampliar horizontes. O MBA me deu exposição a executivos de alto nível, a prêmios Nobel e a grandes empreendedores. O MBA me deu exposição a executivos de alto nível, a prêmios Nobel e a grandes empreendedores".
Empresas restringem patrocínios para funcionários
As empresas globais ou aquelas que buscam ter exposição internacional têm maior interesse em profissionais com experiência em grandes universidades fora do Brasil. A afirmação é de Patrícia Volpi, sócia de uma consultoria em gestão e presidente do MBA Alumni Brasil, entidade que reúne 1800 brasileiros ex-alunos de escolas de negócios no exterior.
Assim como as consultorias, muitos bancos patrocinam o MBA internacional de seus jovens talentos. Um deles é o Santander, que entre 2001 (à época ainda ABN Real) e 2007 enviou 34 pessoas para as melhores escolas dos Estados Unidos e Europa. Atualmente, há 12 profissionais do banco fora do país cursando MBA. Uma das mudanças na política foi o modelo de seleção dos candidatos: em vez de serem apenas indicações dos gestores, desde o ano passado o processo foi aberto. Em 2009, 127 inscritos passaram pela triagem, segundo a superintendente de RH Paula Giannetti. "A maioria é formada por ex-trainees ou profissionais que querem alavancar a carreira".
A idade dos elegíveis varia entre 24 e 32 anos e só têm direito a patrocínio os que forem aprovados em uma universidade da lista das "top 10" do "Financial Times". Em geral, eles voltam já em nível "pré-diretivo" para uma área diferente da que atuavam anteriormente.
"As consultorias e prestadoras de serviços, inclusive os financeiros, vendem conhecimento e valorizam muito a formação no exterior. Elas atuam com multinacionais e precisam de uma visão global", diz a diretora da Asap, Carina Budin Amaro. Já no caso das indústrias, Carina diz que a preferência ainda são os MBAs "in company", que se moldam às necessidades da própria empresa. Ainda assim, ela garante que o peso de um MBA no exterior é grande. "Nós, headhunters, sempre queremos chegar até eles."
Mas há exceções, como é o caso da Johnson & Johnson. Em vez de patrocinar funcionários, a estratégia da companhia é ir até as universidades para buscar talentos. As vagas são abertas de acordo com as demandas de cada região e os candidatos se reúnem nos EUA para conhecer a empresa e passar por entrevistas pessoalmente. Sônia Marques, diretora de RH da J&J no Brasil, enviou recentemente para a matriz sua lista com 15 perfis para o recrutamento que acontecerá entre setembro e novembro.
A consultora Gladys Zrncevich, sócia da A2Z, afirma que o MBA internacional deve ser feito no momento adequado, ou seja, quando o candidato tem cerca de cinco anos de carreira. "Nessa fase, ele ainda é uma aposta e não fará tanta falta para a companhia se ficar dois anos fora", explica. "Se for alguém mais experiente, ele aprenderá muito mais se trabalhar no exterior como expatriado."
Ricardo Betti, da MBA Empresarial, calcula que entre 250 e 300 brasileiros saiam do país todos os anos para fazer um mestrado em negócios. Pioneiro no Brasil na criação de cursos preparatórios para um MBA internacional, Betti diz que o volume dos patrocínios caiu ao longo dos anos. Calcula-se que, atualmente, apenas 20% dos estudantes sejam bancados parcial ou integralmente por uma empresa. "Esta era uma das únicas formas de patrocínio. Hoje, existem instituições que fazem financiamentos, os empréstimos de bancos e as bolsas das universidades".
Marcelo Ambrozio Ramos, sócio-fundador da MBA House, tem opinião polêmica sobre o assunto. Ele acredita que a redução se deu porque as organizações perceberam que os profissionais patrocinados por elas são menos comprometidos com o curso do que aqueles que viajam por conta própria. "Com emprego garantido, eles não têm tanta preocupação em fazer networking como os demais, por exemplo", diz Ramos. Ele estima que a média salarial de quem volta de um curso destes gire em torno de R$ 160 mil anuais.
(Jornal Valor Econômico, 10 de maio de 2010)
MBA: Bons ventos trazem os brasileiros que estudam fora para trabalhar no país.
Alunos fazem o caminho de volta
Por Roberta Lippi, para o Valor, de São Paulo
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